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  • Uriel Gonçalves

Instagram, monetização e melhores amigos

Em um grupo de Facebook onde são discutidas práticas da publicidade, ações, influenciadores, entre outras questões menos interessante, acordei com uma informação: "fulana está cobrando X reais para entrar no melhores amigos" seguido de muitos e variados "que absurdo o que ela tá fazendo". Mas se a gente parar pra pensar, essa prática já não é comum na nossa vida? Assinatura pelo conteúdo. Estadão, Zero Hora, O Globo que o digam.


Não precisamos dramatizar a cena como o The Atlantic fez com "A Cultura da Influência tornou normal cobrar dinheiro por intimidade", obviamente existem influenciadores usando o recurso "closed friends" para dar aos assinantes a ideia de serem mais próximos do que já são, mas né... Ego, Caras, Capricho e sessão "Entretenimento" do Globo.com tão aí pra mostrar que a gente busca por essa intimidade desde que essa possibilidade tornou-se plausível.


Existe aquela máxima, "se há venda, é por que há demanda". Então, se tem influenciador vendendo intimidade é porque tem gente querendo comprar. E palmas pra quem se deu conta que essa hiperproximidade é tão rentável quanto a fé era no século XI - e continua no século XXI. Em um dos trechos da matéria do The Atlantic é citado uma assinante que diz que pensa em cancelar, mas tem medo de não ficar sabendo antes o que a influenciadora vai postar. Um novo tipo de Early Adopters surge aí. E uma nova polêmica também, obviamente.


Existem "coachs" que vendem conteúdo exclusivo no "closed friends", provavelmente venham existir cursos de 1 dia sendo vendidos através do recurso, coisa rápida, dinâmica. Dá pra considerar isso uma consequência da cultura de influência? Óbvio. Existe gente monetizando amizade no Instagram? Yep. E tá errado?


Pra mim, conteúdo informativo, editorial, criado ou curado pra assinantes é um ponto certíssimo da utilização de uma ferramenta que dá exclusividade dentro da rede social. É saber utilizar algo que tá ali, fácil. Criar bom conteúdo pra internet é algo que custa caro, exige investimento em criação, pauta, equipe, distribuição, atualização e relevância. É tempo que demanda e dinheiro que sai, e a verba da publicidade não chega pra todo mundo. Encontrar formas alternativas de monetizar é algo que acho muito certo.


O ponto ético disto estaria sendo discutido se o recurso tivesse sido pensado nativamente pelo Instagram? O YouTube, por exemplo, oferece o recurso de assinatura de canal faz tempo. Existem mil e um formatos e sites e formas de cobrar por acesso exclusivo que vem de muito antes do "Close Friends".


Trabalhar com modelo de assinatura é tão válido para o Estadão e tantos outros sites de informação e conteúdo quanto para o criador independente. Então, por que é considerado errado?

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